Retina e Vítreo · Goiânia

Retinopatia diabética: sintomas, fases e tratamento

A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável no Brasil. Na fase inicial ela não dói nem embaça a visão, e é justamente nesse estágio que o tratamento é mais eficaz.

O que é retinopatia diabética?

A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina, a camada que reveste o fundo do olho e capta as imagens enviadas ao cérebro.

Com o tempo, o excesso de açúcar no sangue danifica esses vasos, que passam a vazar, inchar ou crescer de forma irregular. O resultado pode ser uma perda de visão progressiva e, em casos avançados, a cegueira irreversível.

Comparação entre olho normal e olho com retinopatia diabética, com microaneurismas, hemorragias e vazamento de fluido na retina
Olho normal x olho com retinopatia: os vasos danificados causam hemorragias e vazamento de fluido na retina.

No Brasil, o diabetes afeta mais de 16 milhões de pessoas. Estima-se que, após 20 anos de diagnóstico, quase todos os pacientes com diabetes tipo 1 e mais de 60% dos pacientes com tipo 2 apresentam algum grau de retinopatia.

16M+brasileiros convivem com diabetes
60%+do tipo 2 desenvolvem retinopatia em 20 anos

Quais são os sintomas da retinopatia diabética?

Muitos pacientes procuram o consultório porque um familiar percebeu algo diferente. Os sinais mais comuns, com uma simulação de como cada um altera a visão:

Visão embaçada ou turva

As coisas parecem fora de foco mesmo com óculos. Letras e rostos ficam borrados.

Moscas volantes ou manchas

Pontos, fios ou sombras flutuando no campo visual, que acompanham o movimento dos olhos.

Dificuldade de enxergar à noite

Piora da visão noturna, com sensibilidade à luz e dificuldade de adaptação ao escuro.

Manchas no centro da visão

Um ponto cego no meio do que se olha, sinal de comprometimento da mácula.

Cores apagadas

A percepção de cores fica menos vívida, tons semelhantes se confundem e o contraste diminui.

Nenhum sintoma (fase inicial)

A doença não dói e não embaça no começo. Por isso o exame preventivo é necessário mesmo sem queixa.

Quais são as fases da retinopatia diabética?

Retinopatia não proliferativa

Fase inicial e intermediária. Surgem microaneurismas, pequenas hemorragias e áreas de vazamento nos vasos da retina. É classificada como leve, moderada ou grave.

Retinopatia proliferativa

Fase avançada. A retina, com circulação deficiente, estimula o crescimento de vasos anormais e frágeis, que podem sangrar dentro do olho e provocar descolamento de retina tracional.

Edema macular diabético

Acúmulo de líquido na mácula, região responsável pela visão central. Pode ocorrer em qualquer fase e é a principal causa de perda de visão em pacientes com diabetes.

Quem tem mais risco?

  • Pessoas com diabetes há mais tempo
  • Glicemia mal controlada
  • Pressão alta e colesterol elevado
  • Doença renal associada ao diabetes
  • Gestantes com diabetes

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pelo mapeamento de retina, exame de fundo de olho com a pupila dilatada. Conforme o caso, o oftalmologista pode solicitar exames de imagem complementares, como a tomografia de coerência óptica (OCT), que mede o edema da mácula, e a angiografia, que avalia a circulação da retina.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da fase da doença e sempre inclui o controle do diabetes, da pressão arterial e do colesterol, em conjunto com o médico clínico ou endocrinologista.

  • Injeções intravítreas de anti-VEGF: principal tratamento do edema macular diabético. Reduzem o vazamento dos vasos e ajudam a preservar a visão.
  • Fotocoagulação a laser: indicada em casos selecionados, especialmente na retinopatia proliferativa, para reduzir o estímulo à formação de vasos anormais.
  • Vitrectomia: cirurgia indicada para hemorragias que não se resolvem e para o descolamento de retina tracional.

De quanto em quanto tempo quem tem diabetes deve examinar a retina?

A recomendação geral é pelo menos uma vez por ano. No diabetes tipo 2, o primeiro exame deve ser feito logo no diagnóstico. No tipo 1, a partir de cinco anos de doença. Gestantes com diabetes precisam de acompanhamento durante a gravidez. Quem já tem retinopatia segue o intervalo definido pelo oftalmologista.

Retinopatia diabética tem cura?

A retinopatia não tem cura, mas tem controle. Quando detectada cedo e acompanhada por um especialista em retina, a progressão pode ser interrompida ou reduzida de forma significativa, e a visão preservada.

Dr. Ricardo Bittar

Dr. Ricardo Bittar · Médico oftalmologista, especialista em Retina Clínica e Cirúrgica pela Santa Casa de Belo Horizonte. CRM-GO [DEFINIR: nº] · RQE [DEFINIR: nº]. Atende no Hospital de Olhos de Goiânia.

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